quinta-feira, 19 de agosto de 2010 Tags: 0 comentários

O mundo universal dos games

Começo dizendo que o título parece redundante, mas um pouco adiante nesta postagem irão perceber os significados por trás dessa frase irredutivelmente legal.

Na postagem anterior sobre o universo expandido do Star Wars citei o game do mesmo. Agora vou apresentar esse mercado que é pouco explorado, principalmente aqui no Brasil, mas é um mercado futurístico e com muitas promessas.

Hoje em dia os números mostram como os games são uma mídia que pode atingir um público gigante, segmentado e trazer retorno. Um exemplo recente é o game Call Of Duty: Modern Warfare 2, em que este jogo conseguiu uma marca histórica não apenas de vendas, mas também de arrecadação e por tempo jogado.

O jogo que foi lançado em setembro de 2009 já vendeu 4,7 milhões nos Estados Unidos e Reino Unido, se tornando o maior lançamento de um produto de entretenimento da história. Mais de 2.2 milhões de jogadores estiveram logados em mais de 5.2 milhões de horas de jogatina multijogador (modo online do jogo) de Call of Duty: Modern Warfare 2, somente no primeiro dia de lançamento do jogo, um recorde da Xbox Live (é uma conta online para jogar pelo vídeo-game).

Call of Duty: Modern Warfare 2 passou a marca de US$ 1 bilhão em vendas no mundo todo desde seu lançamento em 10 de novembro do ano passado, de acordo com estimativas internas da Activision (produtora do game)

Em seus primeiros cinco dias apenas, o jogo gerou US$ 550 milhões no mundo todo, superando a arrecadação de bilheterias de filmes como "Avatar", "Harry Potter e o Segredo do Príncipe" e "Batman - O Cavaleiro das Trevas" em um mesmo espaço de tempo, segundo a própria Activision.

Como disse os números não mentem, com isso a estimativa de público impactado é enorme. Nessa questão publicitária, os games que mais tem propagandas são os de futebol, com as placas de anúncios do lado do campo, camisas dos times, entre outros; os de corridas F1, Gran Turismo, Dirt 2 etc.; e agora o que está contagiando são os games que usam replicas de cidades como cenário do jogo, tendo como exemplo a fortíssima franquia do GTA (Grand Theft Auto), que na última versão do jogo era o recordista de vendas, perdendo somente agora para o Modern Warfare 2.

O GTA IV, a trama acontece na cidade de Nova York porém com o nome fantasia Liberty City, isso já dá pra imaginar como é gigante o peso de uma publicidade inserida nesse cenário, outdoors, letreiros luminosos, aviões, celulares, prédios etc.

Esse jogo teve 6 milhões em vendas em todo o mundo na primeira semana, nele usaram apenas referências, como por exemplo o refrigerante do jogo que chamava-se Sprunk = Sprite, dentre outras marcas que aparecem com mudanças no nome, isso por causa dos direitos autorais. Mas apenas com essas referências o impacto causado foi monstro, imagina com as marcas reais.

Jogos de corridas online tem espaços de publicidade comercializados como outdoors e placas luminosas, em que mudam regularmente, sem precisar do jogador fazer atualizações no jogo para adicionar as propagandas, ficando mais dinâmico.

Essa tendência não foi ditada apenas pelas franquias dos games, mas sim pela exigência do mercado pelo realismo nos jogos tanto em aparência quanto nos produtos que compõe toda a eistória, o personagem e o cenário.

No Brasil vocês podem achar que é impossível acontecer isso devido os games serem de fora, enganados estão os que pensam assim. O Facebook e o Orkut é recheado de games online e poucas empresas investem na área para divulgar seu produto. Imagine um supermercado anunciando no Farmville simulando que as verduras plantadas são do supermercado, fazendo a compra e venda desses produtos, ensinando as pessoas a comprarem qualidade, incentivando o cuidado com o meio ambiente, isso de propagação em massa.

Esse mercado é um poço de probabilidade de acertos em marketing, lógico que isso exige um planejamento fera para não anunciar em um jogo que não tem nada haver com seu público e produto.

Espero que com isso muita gente passe a “playar” games (como diziam os Mamonas Assassinas), pois é muito bom.

Veja os vídeos abaixo dos games citados, para vocês terem a dimensão de realismo e de visibilidade das propagandas.

Fifa 2011 (Simulador de Futebol) - http://www.youtube.com/watch?v=P93vY5ZVJ7w
Dirt 2 (corrida) - http://www.youtube.com/watch?v=rDz9Fpw9rmg&feature=search
GTA IV (ação e aventura) - http://www.youtube.com/watch?v=Fh2egiqQY8A&feature=search
Modern Warfare 2 (ação e guerra) – As cenas que estão pulando casas é no Rio De Janeiro http://www.youtube.com/watch?v=429l13dS6kQ&feature=search

domingo, 15 de agosto de 2010 Tags: 2 comentários

A marca Star Wars: que a força esteja na propaganda

Pan pan pannnnn,  paranananannnn, Pan pan pannnnn,  paranananannnn, pan...


Olá pessoal estamos aqui para uma postagem nova em relação à Star Wars com a publicidade, vamos falar aqui da esperteza e confiança de George Lucas e como está o famoso universo expandido do Star Wars hoje em dia.

Depois de muito tempo (eu estava no 1º período da faculdade) estamos retomando ao trabalho devido à um mínimo sucesso que o blog está fazendo. Agora, que estamos no 6º período, vamos começar a colocar mais assuntos bacanas sobre a publicidade.

Sem mais prerrogativas vou começar a falar de um dos gigantes do cinema a franquia Star Wars. Era uma vez, ou melhor, a muito tempo atrás em uma galáxia muito muito distante George Lucas fez o projeto de sua faculdade o roteiro do primeiro filme Star Wars: A New Hope. Depois de passar o roteiro nas mãos de amigos e professores,  procurou uma produtora e a que aceitou foi a FOX Films . Com um orçamento pequeno e tempo muito curto teve que se desdobrar, mas assim nasceu um clássico da ficção cientifica e o começo da expansão da conta bancária de George Lucas.

Quando Lucas fez o contrato com a produtora, poucos acreditavam que iria dar certo inclusive a própria FOX, mas o diretor confiava e no contrato ele redigiu falando que queria todos os direitos de publicidade e de uso da marca Star Wars, juntamente com acessórios, camisas e brindes. A FOX achou hilário, mas creio que hoje ela viu que precisava ousar mais na época.

Depois do Lucas usar sua força Jedi para redigir um contrato pensando em um futuro promissor, o filme fez sucesso tremendo, que o fez abrir sua própria produtora de efeitos especiais  Lucas Films acompanhado na sequência pela Lucas Game e Lucas Arts, finalizando a sua tacada de mestre, evoluindo em pouco tempo de Padawan à um Metre Jedi.

Aquele contrato bobo em que a FOX abriu mão dos direitos de marketing do filme, rendeu cerca de US$ 300 milhões de dólares ao George Lucas, apenas no primeiro filme, realmente o cara é um empreendedor nato.

Nos Tempos de Hoje
Hoje a franquia tem uma enorme propaganda e influência tanto nas gerações antigas quanto as gerações mais novas ficando mais famoso ainda no mundo dos games e no dos NERDS. Muitas empresas usam a marca hoje em dia em seus produtos, pois agrega valor e aumenta o lucro da empresa.

Uma campanha muito legal foi o da Adidas Originals Star Wars Collection, com o anúncio estrelando David Beckham, Snoop Dog e Darth Vader. Essa campanha mobilizou muitas lojas da Europa fazendo um tipo de flash mob, sempre com uma intervenção do Darth vader e seus soldados Clones.  

Com o mote “Celebrando a Originalidade” a campanha sempre mostra o conceito de diferente, ousado e com qualidade, valores que o filme passa ao público e que a Adidas relacionou com o seu produto, sendo bastante exclusivo nesse tipo de campanha. (veja os vídeos no final do post, detalhando mais as informações)


Atualmente a franquia está com dois sucessos, a animação Clone Wars para televisão e o evento Star Wars in Concert. (veja o trailer dos dois mais abaixo) Estes eventos são novamente exclusividade e diferentes para a franquia, em que o Clone Wars é direcionado para as crianças e já está na 3ª temporada. Apesar de não ser a primeira vez que a franquia vira animação o sucesso que tem agora é fenomenal tanto no Brasil quanto no exterior.

A outra inovação é o concerto com orquestra tocando as músicas do Star Wars, inclusive a famosa música do Darth Vader e a que tentei escrever no começo deste post. A orquestra está fazendo turnê por enquanto na Europa  ( http://www.starwarsinconcert.com/ ). Essa tem uma interatividade muito bacana com o público, além dos teatros ficarem lotados, tem a loja e exposição de figurinos, bonecos e de naves usados nos filmes.

É isso pessoal, esse é um pouco do universo expandido do Star Wars, que revolucionou o cinema e o gênero, sempre pioneiro em muitas coisas e muitos lucraram bastante com essa franquia.


Podemos ver o marketing exuberante atuando na franquia que completou no dia 25 de maio 33 anos. Essa maneira de promover um filme faz com que nunca se perca uma preciosidade dessas no tempo, sempre com novas ideias, planejamento e criações, pode fazer com que uma marca de um filme de sucesso se torne imortalizada, pelos olhares inovadores tanto da empresa (Star Wars) quanto da equipe de publicitários envolvidos que trabalham para sempre renovar e adequar a marca ao mercado.


To be continued...(digitalização do Star Wars)


Propaganda Adidas http://www.youtube.com/watch?v=ZooYDKIDOaQ

Coleção Adidas (Roupas, Tênis, Acessórios, Decoração etc. )
http://www.youtube.com/watch?v=HnJgfOTLyPc

Evento de lançamento da coleção Adidas http://www.youtube.com/watch?v=dwm_OU7HLWU&feature=related

E para quem não identificou a música que tentei escrever http://www.youtube.com/watch?v=R-vXM9L54s0

sábado, 4 de abril de 2009 Tags: 2 comentários

REFLEXÕES SOBRE INDÚSTRIA CULTURAL


Na década de 1930, Max Horkheimer fazia releituras sobre Karl Marx, Friederich Hegel e Arthur Schopenhauer, e destas experiências de raciocínio foi delineando-se a Teoria Crítica. No Instituto de Pesquisas Sociais seria lançado o gérmen da aproximação intelectual dos mais diversos entusiastas do comportamento crítico em relação à sociedade. Nascia a “Escola de Frankfurt”.

Max Horkheimer seria diretor do Instituto de Pesquisas Sociais de 1930 até 1958. Ele via a necessidade de interessar mais pela sociedade vista racionalmente. Deveria haver justiça do , em prol do, e pelo todo. Com uma leitura bem articulada da obra de Karl Marx, Horkheimer assume comportamento crítico em relação à sociedade, e mais ainda em relação à cultura moderna. A contemporaneidade trouxe consigo exploração potencial dos mecanismos que compõe a cultura.

Mas se Karl Marx foi um dos pólos de embasamento para a Teoria Crítica, outro igualmente importante foi Sigmund Freud. Os teóricos da “Escola de Frankfurt” elaboram uma aproximação dinâmica da leitura sociológica do autor de "O Capital " com os avanços psicanalíticos do ilustre desbravador do inconsciente. Isto tudo numa roupagem crítica, cuja utilização sempre tinha em vista uma sombra ameaçadora: o capitalismo.

Horkheimer gritava em prol da emancipação intelectual das pessoas, assim como Karl Marx reivindicara a emancipação econômica do proletariado. Todavia, Horkheimer não encontrou uma possibilidade real de levar a sociedade a revolucionar-se. A emancipação pretendida parecia cada vez mais distante, visto que a sociedade de modo geral parecia dirigir-se com passadas firmes rumo a uma situação de barbárie.

Analisando o momento histórico destas conclusões de Horkheimer, não é difícil entender parte do que o conduziu a elas. Ele fora testemunha ocular do florescimento do nazismo, e na mesma época emergia o stalinismo. Seriam exemplos irrevogáveis da barbárie para a qual as pessoas decidiram orientar-se.

Nas primeiras páginas da Dialética do Esclarecimento (obra imponente escrita em conjunto com Theodor Adorno) conta que ambos desejam investigar o porquê da humanidade estar “se afundando em nova espécie de barbárie”. Afinal, deveria haver emancipação ou verdadeira humanidade, porém não havia. Em vez de progredir mediante as “luzes da razão”, as pessoas preferiam retroceder rumo à selvageria. Por quê?

Aqui é interessante voltar o olhar para um conceito caro a Horkheimer: a razão instrumental. Esta se trata de uma racionalidade formal, pela relação entre meios e fins. No entanto, a razão instrumental interessa-se tão somente pelos meios, visto serem eles que ocasionam os fins. A razão é assim analisada para sê-la considerada como uma ferramenta direcionada para a obtenção de fins. A razão instrumental é transformadora, e mais do que isto, é dominadora. O homem emprega a técnica para transformar a Natureza com intuito de subjugá-la.

É uma razão subjetiva, pois seus critérios constroem-se a partir do sujeito. É em vista dela que Horkheimer identificou o declínio do indivíduo que rumo decididamente em direção à barbárie. A razão reduz-se a mero instrumento, perdendo seu caráter primordial. O subjetivo desta racionalidade culmina em alienação. Então, o subjetivo desnuda-se de sua própria subjetividade. Nasce então um automatismo dos indivíduos em relação à sociedade. Assim o homem racional vai desconstruindo sua própria racionalidade.

Mas Horkheimer sempre caminha entre duas margens. A Teoria Crítica visa opor-se à Teoria Clássica, despida de ousadia analítica e racionalidade objetiva. Aliás, ao conceito de razão instrumental (ou subjetiva), opor-se-á a razão objetiva. Quando o sujeito extrai princípios da realidade conhecida e transformada por ele, quando visa o mundo em vez de reprimi-lo, visualizando a si mesmo como parte deste todo. A razão instrumental é, portanto exclusiva e deturpadora; a razão objetiva, no entanto é inclusiva e fidedigna.

Seguindo seu próprio caminho Horkheimer tece diagnósticos sócio-culturais, seguindo a alguma distância o legado de Karl Marx. Sua abordagem, assim como a dos demais teóricos da “Escola de Frankfurt”, vai concomitantemente aproximando-se dos conceitos elaborados por Freud. Sinal disto são as investigações que Horkheimer faz sobre a autopreservação do ser humano, e seu impacto no declínio do indivíduo. Este se desfaz na coletividade. É a diluição da individualidade. Tudo passa a ser igual, sem diferenças, padronizado, normalizado. Aniquila-se a identidade pessoal.

A vistoria clínica que Horkheimer arquiteta para a coletividade culmina com o pessimismo de que não há solução para a atuação da Indústria Cultural. Seus mecanismos estão reduzindo a espontaneidade inerente a cada sujeito. A criatividade está sendo sacrificada em prol da normalização massiva da população. Esta autoconservação aponta para possibilidades assustadoras, para a pré-história, para antes da organização sociológica, para um capitalismo sem liberdade, para uma burocracia deturpada.


A razão mudou de lado. Tornou-se irracional. Perdeu sua autonomia. Impotente, o indivíduo assiste a tudo, submisso e adaptado a tudo o que a Indústria Cultural lhe entrega. Eis uma olhadela assaz célere sobre considerações e análises de Max Horkheimer, sua Teoria Crítica e a senda intelectual para a formulação da Indústria Cultural.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 Tags: 0 comentários

O “Véu de Maya”

No oriente, conta-se que no princípio algumas divindades passeavam livremente pela Terra. Uns manifestavam-se em carne e passavam algum tempo com os seres mortais. Outros se exprimiam sem se misturar. Ficavam na moradia dos templos, apenas observando. Há quem diga que certa divindade jamais foi avistada por homem algum. Chamava-se Maya. Nunca saia de sua morada. Todavia, a curiosidade acabou levando algum sujeito a invadir o templo de Maya. Ele esperou que ela fosse descansar. Quando Maya adormeceu, ele foi até ela e lhe tirou o véu que cobria a face...
Neste dia o homem descobriu a verdade. Caindo o “Véu de Maya”, caiu com ele a ilusão. O mundo de aparência que cerca os seres humanos desde os primórdios. O mundo como representação e ilusão.
Na antiguidade, os filósofos e poetas romanos, e depois os teólogos escolásticos, todos seguiram em busca da divina veritas ou veritatis. A busca pela verdade movera todos os tipos de pensadores e agitadores culturais. Platão havia feito a idéia de verdade alcançar considerável primazia no campo filosófico. Mas Sócrates já se perguntava sobre ela. Santo Agostinho a identificara com Deus (a Suma Verdade). Aristóteles e Santo Tomas de Aquino a consideraram metodicamente.
Dá para perceber como este conceito é importante? Físicos e matemáticos se ocupam dele faz séculos, tentando delineá-lo. Uns falam em adequação entre idéia e ideado; outros falam em possibilidade de falsear. Há quem diga que só é verdade o que é experimentável, ou útil, ou falível. No fim das contas, existem muitas verdades querendo tornar-se a verdade geral ou final...
O importante aqui é evitar as simplificações. Verdade não é apenas antônimo de mentira. Talvez nem seja. Mário Quintana dizia que “mentira é apenas uma verdade que ainda não aconteceu”. Todavia, algumas acontecem. Nietzsche chamava atenção para o fato de que as verdades não são eternas. Tentam empurrar-nos miríades de coisas como verdade imutáveis, perenes, eternas. No entanto, uma das poucas ocorrências permanentes neste mundo é exatamente a mudança.
Alguns filósofos discursavam sobre a existência de duas verdades: as de fato e as de razão. Estas seriam verdades necessárias, cujo oposto é impossível. Aquelas por sua vez seriam contingentes, cujo oposto é possível. Kant ensinava que a verdade são as coisas em si mesmas (noumenon), porém só percebemos os fenômenos (phaenomenon), isto é, aquilo que nos surge depois da síntese do entendimento, sendo as coisas em si mesmas incognoscíveis. Husserl dirá que após a redução fenomenológica, o que aparece, o fenômeno, é a própria coisa em si mesma.
Hegel identificava verdade e realidade. Para ele, ser e pensar são uma só e mesma coisa. Schopenhauer pronunciava que a única verdade é que tudo é representação. Diz ele na abertura do seu principal livro: “O mundo é minha representação dele”. Mas o que é uma representação? Seria um conteúdo concreto (apreendido pelos sentidos, pela imaginação, pela memória ou pelo pensamento)? Ou seria o “Véu de Maya” (uma ilusão)?
Não importa aqui propriamente o mais perfeito conceito de verdade. Dentro do cotidiano publicitário o que tem relevância é a capacidade do comunicólogo usar as informações. Um dos mais eficazes procedimentos para a criação de uma campanha publicitária para uma empresa engajada em algo é justamente desvelar algumas verdades. O véu que encobre informações pode ocultar enorme potencialidade. E os exemplos são vários...
Reparou como o Banco Bradesco tem falado sobre a Fundação Bradesco? Note o seguinte: a Fundação Bradesco não é uma novidade. A iniciativa é relativamente antiga. Mas por que o Banco tem explorado muito a divulgação destas iniciativas apenas recentemente? A resposta é simples: por que esconder verdades significativas que podem agregar valor ao Banco?
O aclamado comercial Hitler da Folha de São Paulo imortalizou uma frase: “é possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade”. E realmente é! Tentar manipular o consumidor mediante um jogo de verdades e mentiras é arriscado e pode ocasionar sérias consequências. Cuidado com as mensagens que serão difundidas. Uso inadequado de palavras e manipulação de informações pode arrasar uma campanha. O consumidor de hoje é inteligente e ele merece respeito, não nos esqueçamos disto.
Infelizmente, o “Véu de Maya” não pode ser completamente retirado. Por trás desta ilusão aparente esconde-se muita podridão (vide o documentário “Além do Cidadão Kane” ou o filme “O Quarto Poder”). A informação é bela. Todavia, alguns se proclamam donos dela, e a maltratam. O “Véu de Maya” esconde vários rostos. E muitos deles são deformados. Oxalá isto mude no futuro...
Até a próxima...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009 Tags: 0 comentários

Essa palavrinha mídia...

Essa palavrinha mídia, é muito escutada cotidianamente e todos lugares, e geralmente usam como conceito o Compact Disk, o famoso CD. De certa forma está cabível esse comentário sobre Mídia, mas o mais correto que se pode chegar, em relação a conceito, é que a Mídia é um “ditador”. Por quê?


A Mídia ultimamente está generalizando tudo, padronizando tudo e forçando o consumidor à comprar sem direito de questionar, uma Casas Bahia da vida, que simplesmente joga na cara do consumidor os produtos por meio de seus anúncios pela Televisão. As mídias (TV, rádio, revista, TV por assinatura...), manipulam as pessoas hoje em dia, o consumidor se deixa levar por simplesmente relacionar cerveja com futebol, já que os anúncios são propagados no intervalo do mesmo.


Mas não é tudo de ruim a mídia. O profissional de Mídia, o mídia, é um artista sim em que realiza com uma imagem, sem texto na maioria das vezes, passe a mensagem a idéia assim como obras que influenciam no comportamento humano, no profissionalismo e no caso da publicidade adiciona o comportamento comercial.


A Mídia atual, chegou no ponto em que a informação foi comercializada. É considerado atualmente como o 4º Poder, perdendo para o poder bélico, aeronáutico e petroquímico, podendo daqui há 20 anos ser um dos maiores poderes sociais. Exército de Mídia, será?


No meio comercial a Mídia pode salvar e fazer crescer as empresas de forma fantástica, tipo da noite pro dia mesmo, isso quando é claramente bem empregada. Empresas como a MRV quando adotaram divulgação dos seus imóveis pela internet fez com que de um mês para o outro, o número de visitas tanto no site quanto na loja aumentarem cerca de 400% segundoa assessoria de comunicação da empresa. Saber usar uma campanha em vários tipos de mídia em que o target é atingido, são quando os anunciantes se destacam, ” É por isso que se fala muito na comunicação integrada e na consideração das diversas disciplinas do marketing na propagação eficaz de uma marca”, diz Ângelo Franzão.


Os anunciantes no Brasil são considerados verdadeiros artistas, daqueles que tem que saber dançar e rebolar muito, para conseguir passar na rigorosa censura que a constituição nos impõe para seguir, fazendo assim que nossos anúncios se destacam-se no meio publicitário mundial pois somos forçados a isso. Que dificuldade!!!


Enfim, a Mídia é muito complexa, essa palavrinha pode ser salvadora ou traiçoeira. Nós publicitários e futuros seguidores do marketing, temos que desenvolver as técnicas milenares de Pay May com Jaspion, para fazermos história e sermos destaques em nossa área, trabalhando com dignidade e respeito à sociedade ais importante do comércio, os consumidores.
Felype Abreu Silva

terça-feira, 21 de outubro de 2008 Tags: 3 comentários

Sucesso!!! Ah!!! Tão sonhado sucesso!


Porque será que poucas pessoas são boas demais e outras de menos? Se observarmos bem aqueles que têm sucesso, não foi por acaso tem toda uma vida por trás de tanto êxito.
Certa vez tive em contato com uma frase muito interessante que dizia “Se você não tem um diferencial não entre em uma competição” (Jack Welch).
Então, a primeira pergunta a si fazer é: quais são meus diferenciais? Antes de me preocupar em recitar um currículo legal, que tal me preocupar em como anda o brilho dos meus olhos, o meu humanismo, o meu espírito de servir ou se meu estilo de vida esta equilibrado.
Olha que bacana esta definição de sucesso: realização progressiva de objetivos pessoais valiosos e predeterminados. Precisaríamos de algumas paginas para decifrar cada uma dessas palavras, por hora vou ficar com algumas definições que a meu ver nos leva ao sucesso.
Desejo. Um desejo ardente surge quando você tem clareza do seu propósito de vida. O desejo incendeia sua alma e seu coração e o põe para agir quanto maior for o seu descontentamento com o estado atual.
Determinação. Originária do desejo e passo inicial da persistência, a determinação diz que você não pode parar que tem de lutar até o fim para fazer seus objetivos acontecerem.
Disciplina. É a educação da vontade. É a prova que você dá a si mesmo de que é você quem está no controle, não as suas emoções.
Foco. Quando você clareia o propósito e acende a chama do desejo, você precisa de concentração. Lealdade dividida mina as suas energias, desativando você do seu objetivo.
Flexibilidade. Objetivos centrais e valores são inegociáveis. Todo o restante é passível de revisão. Pergunte- se: Isso fará uma diferença daqui a um ano? Se a resposta for não, ceda imediatamente e deixe suas energias concentradas em um propósito de valor.
Rapidez. O ciclo de vida dos produtos e da inovação está sendo reduzido drasticamente a cada dia. Ser ágil na tomada de decisões e nas soluções de problemas do cliente é essencial para o sucesso.
Parceria. Sem parceria não há negócios, sem negócios, não há riqueza, nem abundância, nem sucesso. Parceria exige reciprocidade, objetivos comuns, confiança e complementaridade.
Uma questão muito importante diz respeito à concentração. Profissionais que dispersam perdem o rumo, habitam a zona da mediocridade e são alijados do mundo produtivo.
Os maiores músicos passam horas praticando todos os dias, passando e repetindo exercícios básicos, aprendendo e polindo suas técnicas. Eles se recusam a permitir que qualquer coisa interfira em seus horários de pratica. O famoso pianista do inicio do século XX, Ingnace Paderewski, disse certa vez, durante uma entrevista: “Se eu deixo de praticar um dia, eu ouço a diferença. Se deixo de praticar por três dias, meus amigos percebem a diferença. Se deixo de praticar por uma semana, o mundo saberá.”



Márcia de Araújo Pereira

segunda-feira, 20 de outubro de 2008 Tags: 1 comentários

Visão diferenciada sobre o óbvio

Ao passar por um local onde o pessoal (feirantes), usa aos domingos para a prática de vendas diversas (famosa feirinha no bairro Nova Cidade), pude notar uma sensível diferença em observar estratégicas e formas de convencimento usadas pelos feirantes a fim de atrair consumidores em busca de seus produtos.

Coisas anteriormente óbvias como vendas, desde de uma cerveja até a uma galinha (caipira e viva), feirantes travam uma “guerra” árdua em pró de atingir seus objetivos (vender, vender e vender).

Após alguns meses de curso (comunicação), notei que a visão e analise feita por mim mudou significamente e em todos os sentidos. Passar a observar o cotidiano dos acontecimentos e o comportamento das pessoas em relação ao comércio virou algo rotineiro e necessário para a construção de uma analise mais aprofundada e para um melhor embasamento profissional.

Ao observar o comportamento dos feirantes e ao comparar com o comportamento dos consumidores é visível notar a visibilidade dos feirantes e o conhecimento desses em relação aos consumidores e produtos. Prova disso, se constata na preocupação dos feirantes em proporcionar condições cada vez mais criativas, diversificadas e favoráveis aos consumidores que retribuem de maneira satisfatória aos anseios dos feirantes.

Com muitos produtos semelhantes (até no preço), a abordagem diferenciada é que traz consumidores que ao buscar seus produtos ou até por passar no local mesmo sem pretensão de compra, muda seu perfil e acaba comprando o produto.

O que antes parecia ser um ato de sorte ou de coincidência em minha visão prematura e sem nenhuma pretensão analítica sobre sucessos e fracassos dentro do contexto de vendas dos feirantes, hoje passou a ser um “signo” com significante e significação expressiva sobre determinado tema.

Assim, vejo que até de forma inconsciente ou sem um aparato técnico, o resultados dos objetivo dos feirantes está interligados à ações de planejamentos estratégicos que aliado ao conhecimento, experiência, criatividade, relacionamento interpessoal e uma visão analítica dos signos (semiótica), são de fundamental importância ao resultado final.

Não é por acaso que determinados feirantes usam como estratégicas um grito diferenciado, ou porque determinada barraca de cor azul vende mais que a do lado de cor preta, ou que a maioria proferem os salgadinhos da “Dona Iolanda”. E que tão observar que enquanto a maioria expõe as roupas à venda no chão, uma feirante armou uma barraca e suas roupas ficam penduradas em cabides (uma loja ao ar livre).

É fantástica tais observações e magnífico que os consumidores passam a ser fieis aos idealizadores de idéias inovadoras consumindo seus produtos e fazendo propagandas dos produtos e serviços prestados.

Ir a feira passou a ter um novo significado, sem dúvida é um grande laboratório como tudo ao nosso redor que a medida em que se aprofunda os estudos, mais significação passa a ter em nosso novo mundo, o fabuloso e infinito mundo da comunicação.


Edson Medeiros Rodrigues Maciel

DEMOKRATÍA

A Grécia do período áureo, do século de ouro de Péricles, nos deu um modelo ideal de convivência em sociedade. Os gregos falavam em “demokratía”. Uma espécie de soberania popular. Todavia, hoje democracia soa dicotômico. Soberania popular? Existirá realmente?

Primeiramente, o que é um governo democrático? Alguns dizem que é a soberania que emana do povo, ou que a ele pertence. Talvez seja o sistema político que se adapta aos interesses do povo. Então democrático é aquilo que convive harmoniosamente com todas as classes sociais. Mas isto acontece?

Seria o nosso sistema democrático uma idealização? Talvez recordação de períodos sublimes do passado, hoje presentes apenas em pensamento? É indubitável a sensação de que a democracia não está funcionando. Por que é assim? Tem que ser assim? Faz parte da soberania popular?

Os estadistas são representantes do povo. Nós os indicamos. Os elegemos. Sem o nosso aval, nada são. Afinal, o Brasil é uma democracia, e quem manda é o povo. Não é? Tentam nos fazer acreditar nisto. Na realidade, estamos condicionados até os pescoços. Compram nossas crenças com vãs esperanças e elaboradas jogadas de marketing. E nós, temos consciência imediata disto?

As pessoas vivem em sociedade. Esta convivência engendra uma consciência coletiva. Existe um instinto coletivo social inato, que desperta através das relações interpessoais. Porém, é tão maltratado, tão influenciado e persuadido, deveras manipulado, que se perde dentro de um caldeirão de pulsões e futilidades. Triste época a nossa: aprendemos a ler e escrever, para não aprender a votar! Sem contar os que aprendem, para logo após, esquecer. O analfabetismo político é muito denso, quando nos aperceberemos disto? Quando nos tornaremos cônscios da situação em que vivemos? Do poder de nossas escolhas?

Esquecemos que tudo o que é político (do grego “politikós”), é próprio da “polis” grega, da “civitate” latina, das cidades brasileiras. O político representa a cidade (o homem é um ser político, já dizia Aristóteles). A cidade é o recinto do povo. Logo, o político representa o povo. E se representa, merece atenção do mesmo. O futuro da sua cidade, o seu futuro, ele é mensurável. E tem a extensão do seu voto. Vale tanto quanto ele. É importante ter consciência disto.

Aqui é oportuno citar o Código Eleitoral: “Todo poder emana do povo e será exercido em seu nome, por mandatários escolhidos, direta e secretamente, dentre candidatos indicados por partidos políticos nacionais, ressalvada a eleição indireta nos casos previstos na Constituição e leis específicas.”(Art. 2º)

“Todo poder emana do povo e será exercido em seu nome”. Eis um princípio democrático. No entanto, é preciso que o povo o conheça e faça-o valer, que lute por ele. Não podemos acatar uma democracia utópica. Se a soberania é popular, ela tem que atingir o povo. Na verdade, em termos de Brasil, nos últimos anos algumas coisas realmente melhoraram. Só que ainda é pouco perto do que pode e/ou deve ser. Não podemos permanecer uma pátria de analfabetos políticos para sempre. Quinhentos anos se passaram, e onde está a consciência política? Nosso consciente social coletivo não pode continuar recalcado. Este poder emana do povo não pode ter outra fonte que não o povo. E o próprio povo deve regulá-lo.

A “demokratía” pertence aos gregos. Construamos a nossa democracia, brasileira e real. Caso contrário, queimemos todos os livros de economia e ciência política que versão sobre o assunto, pois se não atingir efetividade real, este modelo não passará de uma atualização da civilização imaginada por Thomas Morus (e será mais adequado mudar o paradigma). Uma Utopia (do grego “ou” + “topos”, a negação de um lugar, ou seja, em lugar nenhum). Será este o propósito da democracia? Apontar para lugar nenhum? A resposta pertence ao tempo, e às escolhas de um povo, consciente ou não...

sábado, 11 de outubro de 2008 Tags: 3 comentários

Corel Draw vs. Illustrator


Comparar os recursos dos dois programas é complicado, pois olhando pela parte de Artes Gráfica o que importa é o resultado final, que vai para a impressão. Mas o Illustrator está à frente pois mantém recursos digamos que assim básicos dos programas da Adobe, por exemplo: Filtros e Camadas, e as camadas fazem a diferença, o Corel até tem camadas mas não tem a praticidade igual a do Illustrator.


Visando o mercado de Artes Gráfica, o Corel é o mais aceito pois é como se fosse o programa básico de todas as empresas, mas isso é reflexo de que há pouco profissionais que mexem com o Illustrator e outros tipos de arquivos como por exemplo o PDF. Isso é fato no país todo, apenas grandes centros urbanos que apresentam tais profissionais e empresas mais qualificadas.


O Illustrator por ser um programa recente de vetorização a sua usabilidade ainda é pouca com relação ao Corel que está no mercado desde 1989, mas o programa da Adobe está tendo uma aceitação enorme no mercado profissional e até mesmo o não profissional.


Outro fator que o Illustrator se destacou foi com o seu desempenho, que quase não trava ou até mesmo nunca trava igual o Corel. Isso pode ser visualizado quando no Corel Draw você vai fazer um simples efeito de marca d'água em alguma logo por exemplo.


O Corel você faz isso tranquilamente mas se fizer usando a transparência com um objeto em cima da logo, tem o efeito final excelente, mas se for fazer a impressão o Corel não entende como tudo um único objeto aí sai duas cores na parte onde tem o objeto com transparêcia, ou seja o programa é considerado burro.E pode usar também o Power Clip mas a qualidade não fica agradável, e com o Illustrator basta apenas reduzir a opacidade da logo, ficando perfeito a marca d'água e de forma bem mais simples.


Apesar de tudo quem domina um dos dois programas sempre consegue realizar o trabalho proposto de forma excelente, isso é de cada um, pois a dominação de algum programa os defeitos e vantagens do programa são sanados e usados de forma sempre ter criações fabulosas nesse mercado que cresce e que sempre tem novos recursos para ter um resultado final comum.


Ser suficiente artista é ter capacidade de desenhar a imaginação. A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação envolve ao mundo.

Albert Einstein

Felype Abreu Silva

quinta-feira, 9 de outubro de 2008 Tags: 1 comentários

OLHAR SEMIÓTICO: A cólera de Aquiles!

Você já assistiu ao filme Tróia, uma mega produção do cinema recente, com Brad Pitt no papel de Aquiles? Qual o olhar que você lançou para este filme? Pode enxergar o longa-metragem por detrás do filme? A trama subjacente a história? Foi um roteiro interessante, que revela uma temática semiótica das mais interessantes.

Os relatos da guerra são famosos. Dois livros célebres têm-na como tema. A Ilíada de Homero conta a guerra, e centra-se na ira de Aquiles. Virgílio argumenta sobre a guerra em passagens de sua epopéia Eneida, contando o que aconteceu com os troianos após a derrota, e mostrando a saga de Enéias, último herói troiano. Todavia, o relato de Virgílio é mais recente. Data do período áureo das letras romanas. Homero provavelmente nasceu em 850 a.C., e é ele então uma fonte primária dos acontecimentos. O que sabemos da guerra é que ele deve ter acontecido em meados do século XII a.C..


Neste período, o mundo era tomado por cresças múltiplas (quiçá ingênuas). Acreditava-se nas mais diversas divindades que regiam todas as coisas. Existia um Deus diferente para cada objeto. Estes deuses regiam o destino das pessoas. A qualquer momento as Parcas podiam cortar o fio da existência singular de qualquer indivíduo. Todos estavam à mercê do Olimpo...


Deixando estas informações de lado, vamos nos deter em alguns signos que são muito ricos. Primeiro, o questionamento magno oferecido por esta visão de Tróia. Em momento algum o filme mostra deuses governando o destino. Na verdade, há questionamento a respeito da efetividade divina sobre o que acontecerá com as pessoas. A vontade dos deuses, tida como onipresente e soberana é posta em xeque. Isto é forte principalmente nos dois personagens mais intensos da trama: Aquiles e Heitor.


Certa penumbra filosófica paira sobre Aquiles durante todo o filme. A fúria de Aquiles é histórica (“Cantai, ò Deusa, a fúria de Aquiles”; assim começa a Ilíada de Homero). A ira do guerreiro implacável é mítica! Mas o personagem é enriquecido com indagações sobre as crenças e atitudes comuns para a época. O Aquiles do filme foi humanizado, vê mais longe do que o personagem homérico. As causas que moviam pessoas e reinos eram insuficientes para Aquiles. Um homem cujo crédito em si mesmo tornava desnecessária uma multiplicidade de deuses. Se houvesse um Deus para Aquiles, seria a lâmina de sua espada. Era ela (aliada a sua habilidade com a mesma) quem decidia sua vida ou morte, e não algum ser maior que olha tudo de fora.


Deuses não lutam guerras! Por isto, Aquiles não os teme. O implacável herói tem tanta consciência sobre suas convicções que em uma das cenas mais interessantes do filme, o mesmo arranca a cabeça de uma estátua do Deus Apolo com sua espada. Heitor vê a cena. E se interroga muito sobre o acontecido. Apolo viu sua estátua ser decapitada. E não reagiu. Por quê? Serão suficientes as crenças de que o destino das coisas e pessoas é regido por divindades invisíveis?


Heitor torna-se signo da mutabilidade da qual uma crença é alvo. Afinal, se Apolo não reagiu a uma violência contra uma imagem sua, por que reagiria por outros motivos? Se o Deus não cuida de si mesmo, cuidará dos outros? Heitor percebe a fragilidade da crença manifesta por todos (do senso comum). Apolo decidirá realmente o futuro de Tróia? É sábio por o futuro de um povo nas mãos de um Apolo que não reage diante de um simples homem?


Mas voltemos a Aquiles. O herói desafia o destino. Na cena de mais próxima referência a uma divindade, temos Aquiles conversando com sua mãe. Sabe-se que Aquiles era filho da deusa Tétis. Ela aprece em uma cena anunciando o destino do filho. É sugerida a divindade, porém apenas implicitamente. Curioso, quando consideramos que a Ilíada é repleta de intervenções divinas, com os Olímpicos participando ativamente da guerra. No entanto, Tróia não é um longa-metragem sobre a soberania dos deuses. Tróia é um drama, ou antes, uma epopéia sobre a tragédia humana. Um episódio patético da vida de um homem: Aquiles...


A cólera de Aquiles é o motivo central do filme Tróia. O furor de um herói que escolhe ele mesmo o seu destino. O objeto do signo de destino não são os deuses. É antes, o ímpeto de Aquiles (herói que em momento algum da Ilíada é retratado como monstro, mas que aparece no filme como traços marcadamente humanos). Sua fúria determina suas escolhas. O herói grego tem ciência acerca do quebrantamento de seus adversários. Eles crêem no destino – Aquiles não. Crêem em diversos deuses – Aquiles desafia as divindades. O herói grego percebe que o interpretante dos signos destes deuses é hipotético (deuses não lutam!). Aquiles confia em sua espada, em sua destreza e em sua cólera. Assim o destino é edificado em cada batalha...


Pintura magnífica de um filme que tenta mostrar uma realidade humana redesenhada a partir das páginas míticas da Ilíada. Mesmo com cenário e personagens recriados, ao filme subjaz uma riqueza de signos maravilhosa. A fúria de Aquiles é o signo dos homens que se encontram diante de uma ambigüidade elementar: tomam as rédeas do próprio destino, ou as jogam nas mãos de outro ser. Guiar ou ser guiado, eis a questão! A lição derradeira do filho de Tétis é que a glória atingida com suor próprio está acima de qualquer conquista.



“Vencer sem perigo é triunfar sem glória. Quanto mais difícil for a obra, mais belo é o desempenhá-la.” (Antônio Frederico Ozanam)


Adriano José Gonçalves